domingo, 21 de abril de 2013

AVE, AURORA!

Esta poesia lê-se ao mesmo tempo em português e em latim. Foi feita para mostrar o quanto se aproxima o idioma vernáculo da língua mãe.

AVE, AURORA!

Salve, Aurora. Eia, refulge!
Eia, anima vales, montes!
Hinos canta, ó Philomela, (1)
Hinos vós, aves insontes! (2)

Quam pura, quam pudibunda (3)
E's* tu, aura formosa!
Difunde odores suaves, 
Divina, purpurea rosa!

Clareando o texto: 1) Philomela (Filomela):  Nome próprio na mitologia grega. Era filha de Pandion, rei de Atenas e irmã de Progne. Foi vítima de brutal paixão (violentada) por parte de Tereu, seu cunhado que cortou-lhe a língua e a manteve  encarcerada. Foi então vingada por por Progne, que matou o próprio filho, Íctis, e o deu de comer a Tereu. Tendo fugido, foram alcançadas por este e suplicaram aos deuses que as salvassem. Progne foi por eles transformada em em andorinha e Filomela em rouxinol. Daí o sentido do texto: o poeta pede que Filomela, o rouxinol, cante. 2) insontes: adj; termo poético - significa inocente, sem culpa. No texto o sentido é "aves inocentes": a andorinha e o rouxinol. 3) pudibunda: adj; pudico, corado, pudor que se envergonha, vergonhoso, que tem amor à castidade. No texto, a aura (aurora) está toda pudica, envergonhada ao levantar-se. *E's: eis tu ou és tu.

Autor: Castro Lopes (Antônio de) - Rio de Janeiro, 5-1-1827/1901  -  Além de médico, exímio latinista, poeta e prosador. Fragmento de uma de suas obras: Musa Latina (1868).
Fonte: Anthologia Brasileira, 1911 - Biblioteca pessoal.

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