terça-feira, 19 de novembro de 2013

ANTIGA BÊNÇÃO CELTA

ANTIGA BÊNÇÃO CELTA


Que o caminho venha ao teu encontro, que o vento sopre às tuas costas e a chuva caia suave sobre teus campos. E até que voltemos a nos encontrar, que Deus te sustente suavemente na palma de sua mão.
Que vivas todo o tempo que te for dado e que sempre o possas viver plenamente.
Lembra-te sempre de esquecer as coisas que te entristeceram. Porém, nunca esqueças de lembrar daqueles que te alegraram. Lembra-te sempre de esquecer os amigos que se revelaram falsos, porém, nunca esqueças de lembrar daqueles que te permaneceram fiéis. Lembra-te sempre de esquecer os problemas que já passaram, porém nunca esqueças de lembrar as bênçãos de cada dia.
Que o dia mais triste do teu futuro não seja pior que o dia mais feliz do teu passado.
Que o teto nunca caia sobre ti e que os amigos reunidos debaixo dele nunca partam...
Que sempre tenhas palavras cálidas em um anoitecer frio, uma lua cheia em noite escura e que o caminho sempre se abra à tua porta.
Que vivas cem anos, mas com um ano extra para arrepender-te.
Que o Senhor te guarde em sua mão, mas que não aperte muito seus dedos...
Que teus vizinhos te respeitem, os problemas te abandonem, os anjos te protejam, o céu te acolha e que a sorte das colinas Celtas te abrace...
Que as bênçãos de S. Patrício te contemplem, que teus bolsos estejam pesados e teu coração leve.
Que a boa sorte te persiga a cada dia a cada dia e a cada noite.
Que tenhas muros contra o vento, um teto para a chuva, bebidas junto ao fogo, risadas que consolem aqueles que amas e que o teu coração se preencha com tudo que desejas...
Que Deus esteja contigo e te abençoe, que vejas os filhos de teus filhos, que o infortúnio te seja leve e breve e que ele te deixe rico de bênçãos.
Que não conheças nada além da felicidade desse dia em diante.
Que Deus te conceda muitos anos de vida, pois com certeza Ele sabe que a terra não tem anjos suficientes. E assim seja a cada ano e que vivas para sempre!

Imagem: A música na vida.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

CANÇÃO DE PRIMAVERA

Ipê florido na Pça da Liberdade em Belo Horizonte-MG; Foto: Arquivo FSF.



CANÇÃO DE PRIMAVERA

Abra a janela, não espera, chegou a primavera. Lá fora há flores: não podemos nos ocultar das suas côres.
Lá fora há flores, embora não pareça, mas muito careça, ainda há espaço para amores.

Há espaço para novos jardins e todos os seus afins. Para canções e corações. Há espaços abertos às diversões, para chamar as atenções como fazem as flores. Há espaços para brotar novas ciências e, quem sabe, novas experiências.

Sim, é preciso deixar florir o mundo, usar seu lixo com capricho, para adubar cada lugar, embora nos pareça imundo. Cantar é preciso, fazer chover neste chão, plantar sem aviso, com o coração.

Usar mais das horas vivas, deixar as posições passivas. Pregar a favor do vento, ainda que seja ao relento. Fazer nascer de boa lavra, um canto, uma nova palavra; arar a terra generosa, seja em verso, seja em prosa.
É preciso abrir caminho, ainda que seja sozinho...

Abra a janela: é manhã de primavera. Deixe a tristeza de lado e vá cometer seu pecado de fazer florir o dia.
Proteste, se for preciso, pelas ruas da cidade, se acaso, alguém por maldade, lhe roubar o paraíso.
Não deixe passar de liso: esteja de sobre aviso, se lhe pisarem as flores.
É chegada a primavera, de côres e novos amores!

José Geraldo S F Oliveira - Setembro/1993

terça-feira, 28 de maio de 2013

PARADOXA


PARADOXA

Só quem já provou a dor, quem sofreu, se amargurou, viu a cruz e a vida em tons reais; quem no certo procurou mas no errado se perdeu, precisou saber recomeçar.

Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar, porque encontrou na derrota algum motivo para lutar. E assim viu no outono a primavera. Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer.

Que o verso tem reverso, que o direito tem um avesso, que o de graça tem um preço, que a vida tem contrários e a saudade é um lugar ao qual se chega quem amou e que o ódio é uma forma tão estranha de amar.

Que o perto tem distâncias, que o esquerdo tem direitos; que a resposta tem perguntas e o problema tem soluções.

E que o amor começa aqui: no contrário que há em mim e que a sombra só existe quando brilha alguma luz.

Só quem soube duvidar pôde enfim acreditar. Viu sem ver e amou sem aprisionar. Quem no pouco se encontrou aprendeu multiplicar e descobriu o dom de eternizar.

Só quem perdoou na vida sabe o que é amar. Porque aprendeu que o amor só é amor se já provou alguma dor.

E assim viu grandeza na miséria. Descobriu que é no limite que o amor pode nascer!

José Geraldo S F Oliveira/2011

domingo, 21 de abril de 2013

AVE, AURORA!

Esta poesia lê-se ao mesmo tempo em português e em latim. Foi feita para mostrar o quanto se aproxima o idioma vernáculo da língua mãe.

AVE, AURORA!

Salve, Aurora. Eia, refulge!
Eia, anima vales, montes!
Hinos canta, ó Philomela, (1)
Hinos vós, aves insontes! (2)

Quam pura, quam pudibunda (3)
E's* tu, aura formosa!
Difunde odores suaves, 
Divina, purpurea rosa!

Clareando o texto: 1) Philomela (Filomela):  Nome próprio na mitologia grega. Era filha de Pandion, rei de Atenas e irmã de Progne. Foi vítima de brutal paixão (violentada) por parte de Tereu, seu cunhado que cortou-lhe a língua e a manteve  encarcerada. Foi então vingada por por Progne, que matou o próprio filho, Íctis, e o deu de comer a Tereu. Tendo fugido, foram alcançadas por este e suplicaram aos deuses que as salvassem. Progne foi por eles transformada em em andorinha e Filomela em rouxinol. Daí o sentido do texto: o poeta pede que Filomela, o rouxinol, cante. 2) insontes: adj; termo poético - significa inocente, sem culpa. No texto o sentido é "aves inocentes": a andorinha e o rouxinol. 3) pudibunda: adj; pudico, corado, pudor que se envergonha, vergonhoso, que tem amor à castidade. No texto, a aura (aurora) está toda pudica, envergonhada ao levantar-se. *E's: eis tu ou és tu.

Autor: Castro Lopes (Antônio de) - Rio de Janeiro, 5-1-1827/1901  -  Além de médico, exímio latinista, poeta e prosador. Fragmento de uma de suas obras: Musa Latina (1868).
Fonte: Anthologia Brasileira, 1911 - Biblioteca pessoal.

                                                    ******************

domingo, 14 de abril de 2013

Viver o presente



VIVER O PRESENTE

Algumas versões para o latim em torno desta frase e como foram empregadas pelos grandes autores clássicos, entendendo-se como presente: hoje em dia, neste momento, agora, nos tempos atuais.

*VIVERE HODIE -  Viver (o) hoje. Citada por Cícero em Filípicas 14,14  e  em  Verrem (Verrinas - discurso oratório) 5, 64 - Também por Ovídio em Fastos 2, 76.

*VIVE VALEQUE! - Goze a vida e passe bem. Citado por Horácio em Sátiras 2, 5, 110.

*VIVERE VITAM - Viver a vida. Gramática Ravizza, pg 263, § 357c.

*CARPE DIEM - Aproveite o dia de hoje! - Citada por Horácio em Odes I 11,8 que gosta de lembrar que a vida é curta e deve-se gozá-la (aproveitá-la) ao máximo, ou seja: viver cada momento. O verbo carpo, ere tem vários sentidos; daí que ele é um tanto "traiçoeiro" nas traduções. Mas literalmente, um de seus maiores significados é colher, gozar, usufruir, aproveitar.
Portanto, com segurança, no sentido da frase proposta poderá ser esta a tradução.
Certamente esta é a mais conhecida das citações.

jgsfo/04-2013  


domingo, 7 de abril de 2013

PÁSCOA

É PÁSCOA

Ressuscitou aquele que é vida, ressuscitou para nos dar a paz.
Senhor, experimento a tua passagem
e a tua passagem vai ressuscitando tudo em mim.
Tu passas no sentido da vida 
e a vida vai virando luz.
Tu passas na encruzilhada da dúvida
e a dúvida vai virando fé.
Tu passas no momento de luta
e a luta vai gerando energia.
Tu passas nas alegrias ruidosas
e o ruído do alarde vai se transformando em paz.
Tu passas nas surpresas do encontro
e o encontro vai solidarizando o compromisso.
Tu passas na palavra amiga
e a amizade vai falando de Ti.
Tu passas na cruz que incomoda
e o incômodo vai descobrindo identidade.
Tu passas no gesto generoso
e eu vou aprendendo a servir.
Tu passas no desencontro amargo
e o desencontro vai traçando caminhos novos de compreensão.
São trevas que iluminam,
são esperanças que desabrocham,
são laços que unem, unidos a Ti, Senhor.
É Páscoa dentro de mim.