CANTAR DA ALMA
Aquela eterna fonte está escondida, mas bem sei onde tem sua guarida, mesmo de noite.
Sua origem não a sei, pois não a tem; mas sei que toda origem dela vem, mesmo de noite.
Sei que não pode haver coisa tão bela e que os céus e a terra bebem dela, mesmo de noite.
Sei que tão caudalosas são tuas correntes; que céus e infernos regam as gentes, mesmo de noite.
A corrente que desta forma vem é forte e poderosa, eu sei-o bem, mesmo de noite.
Aquela eterna fonte está escondida neste pão vivo para dar-nos a vida, mesmo de noite.
(Tradução extraída de: S. João da Cruz, Obras completas; Ed. Vozes, 1996.)
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